Exigência para elaboração de projeto final em cursos de especialização.
Todos os alunos matriculados na disciplina deverão elaborar, individualmente, um Memorial Crítico. O referido texto deverá tornar transparente a trajetória do seu autor no campo das Organizações/Estudos Organizacionais. Seu objetivo é o de trazer elementos objetivos para o processo de construção de propostas de trabalho de pesquisa.
Para facilitar sua elaboração aqui estão algumas orientações:
1.O Memorial Crítico caracteriza-se por ser um tipo de texto produzido exclusivamente de forma individual e referencial a uma experiência pessoal. Sua elaboração é, portanto, intransferível.
2.Como tal, o Memorial Crítico é um tipo de texto que pode ser classificado como “informativo-referencial”, no que se refere à sua dimensão descritiva ou narrativa e, “informativo-argumentativo”, em sua dimensão crítica.
3.Na primeira dimensão, seu autor deverá transformar toda a sua experiência de estudos e trabalhos no campo das Organizações/Estudos Organizacionais no objeto do texto. Aqui espera-se que o aluno seja capaz de descrever sua trajetória anterior à entrada no curso e nos semestres já percorridos. Além disso, suas experiências extra-curriculares, estágios e empregos, e aquelas vividas de forma inusitada, casual, mas que foram significativas para a delimitação de sua relação com o campo das Organizações/Estudos Organizacionais. Aqui, o autor deve mostrar sua capacidade de ordenar e apresentar dados, acontecimentos, fatos, em ordem temporal e espacial. Deve também, ser capaz de sintetizar, ou seja, hierarquizar por importância e reduzir ao que é essencial as informações. Note-se que essa redução não pode comprometer a realização dos objetivos gerais do texto. Por outro lado, exige-se uma capacidade de definição, ou seja, de apresentação de dados e informações, evitando-se ambiguidades, e uma grande clareza na explicação dos mesmos, podendo-se, inclusive, lançar mão de documentação disponível.
4.Na sua segunda dimensão, o texto deverá realizar uma leitura crítica da trajetória apresentada. Fica a critério do autor realizar o texto em duas partes complementares ou produzí-lo de forma integrada (o que a meu ver é mais interessante). Aqui é necessário que se dê conta de apresentar uma leitura crítica de forma pontual e global do processo. Note-se que o autor do texto estará analisando questões das quais é uma das partes envolvidas e constituintes, o que exigirá uma grande capacidade de raciocinar de forma dedutiva e indutiva; a necessidade de determinação de relações de causa e efeito e a possibilidade de apresentação de idéias de forma a contrastar com outras idéias são elementos importantes na sua construção.
5.Descrita e analisada a trajetória, em termos de teorias, linguagens, metodologias etc, procure apresentar quais foram os interesses que você construiu; que “territórios” de possibilidades e/ou vontades se delinearam e quais são as expectativas e possibilidades futuras com as quais trabalha. São necessidades e vontades de aprofundamento, continuidade, ou de invenção, ruptura? Exercite aqui sua capacidade de delineamento do presente e do futuro.
6.Desenhado este “território” de possibilidades e vontades, é hora de eleger preferências em relação ao trabalho de conclusão de curso. Segundo as informações que possui, responda às seguintesquestões: que tipo de projeto se adequaria mais ao seu perfil e ao futuro profissional almejado? Por que você percebe essa adequação?
7.Respondida à questão, é hora de delimitar temas de interesse, que mantenham coerência com o que foi dito até aqui. Eleja quantos quiser, mas sustente-os, justifique.
8.No geral, o Memorial Crítico exigirá do aluno as capacidades de saber exprimir-se, transcrever, ordenar, explicar, sintetizar, definir e documentar.
9.Lembre-se que o campo das Organizações/Estudos Organizacionais é bem mais amplo que a mera execução de atividades administrativas/gerenciais. Portanto, vasculhe com generosidade sua memória, pesquise dados contidos em anotações, programas etc.
10.Da mesma forma, não se limite a falar apenas do contexto acadêmico, a menos que sua experiência se reduza a ele.
11.Evite os excessos de subjetivação, mas também não produza um texto “frio”, impessoal.
12.Para começar, a leitura desse fragmento do livro Laços de R. D. Laing pode ser estimulante:
“Há qualquer coisa que não sei e que pelo visto deveria saber. Eu não sei o que é isso que não sei e que pelo visto deveria saber, e me sinto como se fosse um idiota quando dou mostras de não saber o que é isso nem de não saber o que é que eu não sei. E assim fico com os nervos rebentados já que não sei o que devo fingir que estou sabendo. Acho que sabes o que eu pelo visto deveria saber e, contudo, não me podes dizer do que se trata porque não sabes que eu não sei do que se trata. É possível que saibas aquilo que não sei, mas que não saibas que não sei e que não posso dizer-te que não sei.Terás, portanto de dizer-me tudo.”